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Introdução e parte 1

INTRODUCÅO

Este trabalho visa fazer um comparativo entre charges e textos jornalísticos publicados durante o período de junho de 2013 durante as manifestações no Brasil que a princípio ficou conhecida como “Manifestações dos 20 centavo” ¹ , nome dado devido a reivindicação inicial da população contra o aumento da tarifa do transporte publico. Fato este que posteriormente ganhou força e dando início então a uma grande manifestação no país, exigindo melhorias em diversos setores públicos como saúde, transporte e segurança.

A escolha deste tema se deu por conta da repercussão do caso, a dimensão do mesmo e a identificação de uma necessária análise comportamental dos veículos de comunicação neste período. Os veículos de comunicação podem transmitir a mesma informação e abordar diversos ângulos diferentes, o que consequentemente, dá ao público significados diferentes de acordo com sua memória representativa do fato e o conhecimento dos símbolos em questão.
Para uma análise mais detalhada e profunda, iremos concentrar os estudos nas publicações de matérias e charges datadas no mesmo dia, ambas feitas pelo jornal Folha de São Paulo durante o mês de junho. Através das matérias selecionadas durante este período analisaremos linguísticamente a posição do jornal perante o movimento social. Através das charges publicadas no mesmo período poderemos fazer uma análise critica do que o chargista tentou transmitir. Posteriormente iremos contrapor a linguagem escrita com a visual e analisar se o discurso de ambas conversam entre si.
 PARTE 1
BREVE RETROSPECTIVA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS:
Os movimentos sociais crescem de acordo com a tomada de consciência e poder democrático dentro de uma sociedade, eles consistem na maneira que a população tem para reivindicar seu interesses em prol da coletividade. A força de um movimento social pode mudar a historia de um pais, eles dão  a margem necessária para uma mudança de regras e o funcionamento do sistema político operante. Alem da mudança social que pode ocorrer dentro de cada cidadão. Para Karl Marx, através das suas teorias marxistas,  os movimentos sociais são o único meio de intervir e impor mudança dentro de um regime politico. O marxismo serviu de influencia  para diversas áreas com suas idéias anti capitalistas, de transformação e igualdade social, de distribuição da riqueza. Muitos dos movimentos sociais encontram no Marxismo a formação do seu discurso e sua linha de conduta, inclusive para as suas organizações políticas, protestos e formas de ação. (TEORIZAR MAIS SOBRE MARX AQUI).
CONTEXTO DOS MOVIMENTOS DE JUNHO: ANTECEDENTES
Os momentos sociais na historia do Brasil – muitas vezes chamadas de revolta –  estão presentes ao longo dos séculos, desde o período colonial ate a república, de norte a sul do país. O Brasil ja travou diversas disputas ideológicas, territoriais e políticas ao longo de sua história. De acordo com jornalista e escritor Sergio Caldieri ² O primeiro ato de revolta colonial que se tem notícia aconteceu em 1562 na Confederação dos Tamoios, entre coligações de tribos indígenas, que foi apaziguada pelos padres jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta. No nordeste temos notícias da Insurreição Pernambucana, ato da população nordestina contra o domínio holandês, durante essa revolta ocorreram conhecidas batalhas como de Tabocas e Guararapes, a revolta encerrou-se com a derrota holandesa e a expulsam dos mesmos do país. No norte tivemos a revolta no Maranhão que em 1684 resultou na expulsão dos jesuítas. Uma das mais conhecidas e estudadas revoltas foi a Inconfidência Mineira, onde a elite se uniu contra a cobrança de altos impostos e procuraram estabelecer uma república independente em Minas Gerais. Esses são poucos movimentos perto de muitas que séculos atrás deram o tom histórico de rebeldia para a coletividade no Brasil. Trazendo para um tempo mais recente, podemos citar o Golpe de 64, que em 31 de março de 194, lideres civis e militares derrubaram o então presidente da república Joao Goulart. Os movimentos sociais não declinaram com o tempo, nos tempos atuais temos inúmeros movimentos sindicais, o MST, entre outros, que servem de pauta política e social e provam que a mobilização em prol da coletividade é um mecanismo fundamental para impor a mudança social.
OS MOVIMENTOS DE JUNHO DE 2013: DESENVOLVIMENTO E REPERCUSÅO
Por se tratar um acontecimento relativamente recente, muitos estudos acerca do tema ainda serão sendo feitos, ou estão em andamento. De acordo com o professor do departamento de ciência política da Universidade de São Paulo, Andre Singer, em seu artigo entitulado de “ Dossiê:  Mobilizações, Protestos e Revoluções”, os primeiros sinais de mobilização em protesto contra o aumento a tarifa do transporte público tiveram início em São Paulo no início de junho, mais precisamente no dia 06 de junho de 2013 e foi comandado pelo Movimento do Passe livre (MPL), que convocavam as pessoas através das redes sociais para protestos em todo o país, os convites com dia e hora marcados eram feitos através de eventos criados na rede social Facebook, isso serviu para e unificar o movimento e as informações passadas a respeito do mesmo. Com isso o movimento ganhou cada vez mais força e adeptos e consequentemente mais voz de luta perante o governo.  Após esse período inicial novas pautas entraram em questão, a população passou a perceber que unidos tinham voz ativa, seus atos e reivindicações começaram a ganhar força e partidos políticos viram nesse movimento uma oportunidade de levantar sua bandeira.
¹ http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-33002013000300003&script=sci_arttext&tlng=p#back5
²http://www.rededemocratica.org/index.php?option=com_k2&view=item&id=5129:confederação-dos-tamoios
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Análise de discurso das charges

RENATA BELLO

charge 2 Publicada na segunda-feira, 24 de junho de 2013

Publicada na segunda-feira, 24 de junho de 2013

A charge acima insere os políticos em um evento de stand up comedy,  este tipo de evento originalmente americano refere-se a um espetáculo de humor, geralmente feito apenas por uma pessoa em pé, sem a necessidade de cenários ou caracterização de personagens. O comediante de “cara limpa”, procura abordar temas atuais, de conhecimento popular, assuntos que fazem parte do cotidiano das pessoas.

O desenho mostra um político no lugar do comediante falando a frase “A presidenta ouviu a voz das ruas e irá triplicar a verba para saúde e educação..” expondo o pouco caso que os parlamentares, em especial a presidente da república, fazem das reivindicações que ouvem nas ruas.

A crise política vivida no governo federal nesta época mostra que apesar da  presidente Dilma ser detentora do máximo grau de poder dentro da república brasileira e que seu discurso deveria ser levado a sério, ao mostrar os políticos rindo, o chargista nos leva a crer que a fala dela não passou de uma tentativa de apaziguar os ânimos dos manifestantes, que ficaram ainda mais exaltados a partir da segunda quinzena do mês de junho, como consequência da eclosão de manifestações tomando todas as capitais do Brasil.  A charge reforça a ideia de que fazer politica é criar promessas e não cumpri-las (memoria discursiva), neste caso do desenho, mostra que a fala da presidente Dilma tinha a única intenção de tentar conter os manifestantes.

Apesar de vivermos um estado democrático, tendo o direito de reivindicar o que achamos necessários e propormos mudanças, a simbologia presente no desenho acima mostra que isso não nos garante sermos levados a sério.

A sinalização de stand up comedy contida no canto superior esquerdo fez toda a diferença para a construção de sentido da charge quando o leitor possui conhecimento prévio do que se trata o stand up comedy. A sinalização nos fornece embasamento suficiente para o sentido da fala do político. Caso ela não existisse, não seria possível interpretar a charge como tal.

charge 7 Publicada no sábado, 8 de junho de 2013

Publicada no sábado, 8 de junho de 2013

O discurso da charge ocorre com o diálogo entre os dois jovens, fazendo alusão a uma parte da população presente nos  protestos que se iniciaram em São Paulo. Em sua maioria eram manifestantes com idade igual ou inferior  a 30 anos, que com o passar dos dias foram caracterizados por não saberem ao certo o que estavam fazendo, nem o porque estavam fazendo, sendo esses jovens em sua maioria de famílias abastardas.

As manifestações de junho de 2013 ficaram populares em todo o país por reunir diversos grupos sociais, o que se iniciou com um manifesto contra o aumento das passagens de ônibus, tomou outras proporções. A população passou a perceber que só isso não era suficiente e começou a reivindicar outros direitos, o que  ao poucos agregou ainda mais pessoas, independente de classe social, todos eram uma só voz.

Devido ao constante crescimento que se deu, é comum e inevitável o aparecimento de alguns que estão ali para promover a si próprio e ainda aqueles que vão com a maioria sem se questionar, apenas se deixando levar pelo que a maioria dizia, esquecendo de refletir sobre as atitudes que estavam tendo e sobre de qual lado ele está e que tipo de vida ele leva fora dali.

Os jovens retratados nas charges fazem parte do grupo que fugiu do foco principal das manifestações, que não tem um ideal, mas que nem por isso querem ficar de fora. Para eles se a maioria está fazendo é porque parece ser legal. Esse tipo de jovem apesar de ter na ponta da língua um discurso revolucionário,não abrem de certos confortos que os recursos de sua família, em especial seus pais, lhe proporcionam. Em sua maioria nem sequer se lembra em quem votou na ultima eleição, ou se lembra, não acompanhou o mandato do político, não cobrou o que ele prometeu em campanha, mas estão sempre prontos para falar o quanto o país precisa de uma reforma política e o quão cheios estão de tanta corrupção, porém nunca se questionaram ao a origem do seu próprio patrimônio.

O jovem desenhado com um fósforo na mão  usa uma camisa com o “A” de anarquista, ao mesmo tempo que trata seu ato de vandalismo como uma forma de protesto, ele usa uma boina, que originalmente era usada por militares, mas hoje em dia muitos burgueses pseudos-intelectuais (memória discursiva) fazem uso dela.

A charge não busca criminalizar os movimentos sociais ou generalizar todos os cidadãos que participaram das manifestações, nem julgar alguém por ter nascido numa classe media ou classe alta. Isso não o impede de lutar por um pais melhor, mas mostra a ironia que é o fato de que a maioria não sabe qual deveria ser seu principal papel neste movimento.

charge 6  Publicada na quinta-feira, 13 de junho de 2013

Publicada na quinta-feira, 13 de junho de 2013

De acordo com o contexto histórico a idade da pedra foi um período em que o homem passou a utilizar-se da pedra e outros materiais, como ossos e madeira para construir as ferramentas necessárias que garantiram sua sobrevivência, permitindo assim que o homem melhorasse sua vida em sociedade.

De fato que essa época representa um período significativo na história da humanidade, transformando a produção dos bens de produção em algo coletivo, o que ajudou a ser criado pequenos grupos sociais divididos por interesses em comum, ajudando-o a fortalecer sua caça, pesca e a proteção de todos, tanto no trabalho quanto no lar, onde as mulheres cuidavam dos filhos e da casa.

Nesta charge é comparado este período com o que podemos ve em algumas manifestações, onde alguns vândalos se infiltraram apenas com o intuito de depredar o patrimônio público, lojas, bancos, etc., deixando de lado o real sentido da luta.

Ao verificarmos a posição que cada homem se encontra e de que forma ele usa a pedra em cada uma das circunstâncias, comparamos como na primeira situação ele a usa ao seu favor, preocupado em criar algo  que atenda as suas necessidades básicas e na segunda situação, usando a pedra como uma arma para quebrar vidraças, atacar policiais ou outros manifestantes que tentem contê-lo, deixando rastros de destruição por onde passam.

O homem vândalo (posição sujeito) se infiltra em manifestações legítimas, pacíficas para quebrar, depredar , destruir, danificar patrimônios públicos, colocando em risco a sua integridade física e de todos que ali estão. Eles justificam seus atos manifestando-se contra os efeitos do capitalismo na sociedade de massas, o que eles não levam em consideração quando praticam tais atos, é que de certa forma os prejuízos são pagos por nós mesmos através dos exorbitantes impostos. Além disso eles acabaram afastando quem queria protestar pacificamente, o que acabou por fazer o movimento perder a força e ter de volta o rótulo que lhes foi dado no início dos protestos, de que se tratava de baderneiros que queriam apenas propagar a violência.

Charge 3 Publicada no sábado, 22 de junho de 2013

Publicada no sábado, 22 de junho de 2013

A charge mostra um grande número de pessoas organizadas de forma que formam a frase “decifra-me ou te devoro” que remete ao contexto histórico do desafio da Esfinge de Tebas presente na mitologia grega.  A Esfinge possuía cabeça de mulher, corpo de leão e asas de águia. Esta era a frase que a mesma proferia a todo viajante que dela se aproximava. Caso o viajante não respondesse ao seguinte enigma: “Que animal caminha com quatro pés pela manhã, dois ao meio-dia e três à tarde e é mais fraco quando tem mais pernas?”. Para sua surpresa, Édipo, filho de Tebas respondeu corretamente ao enigma quando disse “O ser humano! Pois ele engatinha quando pequeno, anda com as duas pernas quando é adulto e usa bengala na velhice.” Com isso a Esfinge jogou-se num abismo e Édipo recebeu o Reino de Tebas e a mão da rainha enviuvada, sua própria mãe como prêmio.

Inserida no contexto atual que busca retratar a charge usa um aglomerado de pessoas que representam os movimentos sociais espalhados pelo país, formando a frase para mostrar que essa é uma reivindicação de todo o povo em relação as respostas que estavam tendo às manifestações, mostrando que eles querem ser ouvidas e atendidas, caso contrário as manifestações continuarão. Como eles mesmos afirmaram, não é apenas por 0,20 centavos, é por muito mais e cabe então aos parlamentares políticos saberem compreender e solucionar os problemas sociais existentes.

charge 9 Publicada na sexta-feira, 21 de junho de 2013

Publicada na sexta-feira, 21 de junho de 2013

A charge mostra a presidente Dilma ao lado do prefeito do governador de São Paulo (Fernando Haaddad  e Geraldo Alckmin) observando a vinda dos manifestantes em sua direção, pela sua linguagem corporal e as bandeiras que carregam, cada um propõe que a bandeira que carrega é a mesma dos manifestantes, de modo que eles esperam que as pessoas se identifiquem com ela e aceitem  algum desses políticos como aliados.

Os manifestantes estão representados todos da mesma cor, mostrando que eles lutam todos por um mesmo ideal, todos munidos de cartazes de diferentes tamanhos, remetendo as diversas expressões que foram usadas durante as manifestações nos cartazes. As pessoas marcham de forma apressada o que aflige os políticos que ali perto estão, enquanto os manifestantes não se sentem intimidados por eles e ao contrário do que os 3 esperavam, são ignorados pela massa e atropelados por elas.

Isso mostra a vontade daquelas pessoas de serem lideradas por um novo tipo de governo, os três políticos são deixados sozinhos porque as pessoas não se sentem mais representadas por eles e não estão mais dispostas a ouvir as mesmas promessas de sempre (linguagem discursiva).

Os manifestantes marcham em direção a mudança, marcham e expõe seus cartazes em busca de algo melhor e a charge mostra que este objetivo que a sociedade busca alcançar está em sentido oposto aquele dos políticos que estão no poder.

charge 10 Publicada na quarta-feira, 26 de junho de 2013

Publicada na quarta-feira, 26 de junho de 2013

Na charge acima o chargista mostra todo o parlamento com fones de ouvido. De acordo com nossa memória discursiva, isso nos remete a um isolamento causado pela acústica do objeto, que isola qualquer som exterior. Proporcionando uma audição privada. A frase contida na imagem faz possível a interpretação correta do momento em que a charge se refere, através da frase “A voz das ruas – modo mudo” podemos compreender o que está sendo ignorado pelo parlamento. Inserindo esse objeto no contexto das manifestações de junho, percebemos que os políticos da figura tentam ignorar quaisquer discurso dos manifestantes que ali tentavam fazer valer seu direito democrático de reivindicar, sendo a liberdade de expressão sua unica ferramenta possível. A posição dos políticos mostram como eles estão ignorando o que acontece do lado de fora, alguns de braços cruzados, enquanto outros parecem bem confortáveis sentados, em sua maioria eles aparentam esta com o pensamento em outro local, que não ali. Mostrando que os governantes são efetivamente cegos e surdos para os governados.

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Suas resenhas e mais um pouco

Maria e Renata

Acabei de ler as resenhas de vocês e gostei. Porém, para nosso trabalho, precisamos de mais  profundidade.

Pensem que as leituras deverão ajudá-las a analisar as charges (e outras imagens) depois. Assim, a leitura deve ser mais que um comentário; deve ser uma “colheita” de jeitos de ler e de analisar uma charge.

Vejam, no texto, Com a Palavra a Charge, que os autores falam nas condiçoes de produção, no contexto em que as charges foram produzidas. Vocês entenderam as implicações disso? Pensaram em como usarão essa ideia nas análises de vocês?

O que pensaram sobre o fato de os sentidos terem uma história, como diz o texto (p.50)?

O que é contexto e qual seria o contexto das charges que analisaremos?

E sobre a ilusão da palavra neutra (p.54)? O que pensaram? Entenderam a aplicação dessa ideia em nossa pesquisa?

“sob a alegação de estar informando, o jornal permanece opinativo e interpretativo, constituindo
sentidos, produzindo histórias”. (p.54) como usarão isso?

Bom, esses são apenas alguns questionamentos sobre um dos artigos que lhes enviei, para que repensem suas leituras dois dois artigos que já leram e sobre os demais.

Marcaremos um encontro presencial para discutir tudo isso, ok?

 

abs

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Resenha sobre o Artigo: Com a palavra, a Charge: Entre o jornalismo, a política e a arte

  O artigo  “Com a palavra, a charge: entre o Jornalismo, a política e arte” dos autores Cynthia Morgana, Fabricia Durieux e Sergio luiz, explora as diversas diretrizes que o jornalismo costuma ter em meio a sua produção. A análise de um texto jornalístico, como a charge, possibilita o entendimento de tudo que requer sentido na composição da mesma.

  Em primeira instância, o jornalismo sempre carregará a ideologia daquele que irá o produzir. Tendo a obrigação de noticiar os fatos, de repassar as informações. Acontece que de acordo com suas crenças, apoios políticos, conflitos sociais, concepções estéticas, uma mesma notícia pode ser relatada de maneiras diferentes de acordo com o jornal que irá publicá-la, dotada de diversos sentidos de acordo com o seu contexto.

O artigo dá ênfase na importância que a linguagem exerce para qualquer tipo de comunicação social, ela produz sentido e interfere diretamente na sociedade. A palavra encontra-se sempre em constante movimento, ela carrega consigo todo um período histórico de significados, porém, ela sempre irá adquirir um caráter diferente dependendo de quem a usa e de como a usa.

A charge jornalística, por sua vez, estará inserida em um contexto que exigirá do leitor uma interpretação que vá além da imagem que é mostrada, levando em conta a presente carga ideológica e o Humor, características indispensável em qualquer manifestação chargística. Passando desde o artístico até o político, os principais temas sociais são abordados e apresentados ao leitor para suas próprias conclusões.

O Artigo, ao meu ver, caracterizou bem a função dos sentidos da linguagem em uma produção jornalística, e no quanto somos influenciados ideologicamente por quem a produz. E a charge se encontra como um dos meios que mais desperta a atenção e curiosidade do leitor, sendo um ótimo tipo de discurso para se transmitir aquilo que defende de uma maneira mais artística.

 

Maria Alliny

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Comentários sobre o texto “A Charge como manifestação ideológica”

Há diversos tipos de assuntos que permitem para o autor uma forma mais dinâmica na produção de um texto. No texto, A Charge como Manifestação ideológica, a autora descreve a charge jornalística como um texto visual que possui humor, porém, que possui a responsabilidade na maioria das vezes de tratar de assuntos políticos ou então criticando algo.

A charge possui características únicas em relação ao seu modo de ser produzida, a codificação visual, por exemplo, é algo prioritário em qualquer uma delas, por isso o motivo do autor ter a obrigação de ter total conhecimento sobre o fato que será relatado para poder escolher a melhor forma de traduzir aquilo em uma imagem que transmita humor.

É preciso estar em comum com a ideologia dos outros textos publicados no jornal, sendo a charge assim um texto apresentado para o leitor de mais maneira mais prática, aonde ele terá que captar o que realmente se quer dizer através daquele humor. Talvez algo que não estivesse nas linhas escritas dos outros textos do jornal. A autora sintetiza que o principal objetivo da charge é implantar a sua ideologia no intelecto do leitor e estimulá-lo a invadir todas as outras partes do jornal com sua leitura. .

Em ano de eleição, no qual estamos agora, é possível perceber com mais exatidão as críticas que cada jornal faz sobre cada candidato. Cada qual  utilizando de todos os textos envolvidos em um jornal, principalmente as charges, para disseminar seus próprios pontos de vista de acordo com seus interesses. Foi possível perceber isso também nas manifestações de 2013.

 

Maria Alliny

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Crítica sobre o artigo “Com a palavra, a charge: Entre o jornalismo, a política e a arte”.

Esse artigo e minha visão sobre o fazer jornalistico se confunde. Pois concordei em muito do que se esta escrito sobre a possível democracia mascarada que muitas vezes está presente em textos jornalísticos. O artigo é escrito por Cynthia Morgana, Fabricia Durieux e Sergio Luiz.

O artigo em questão visa abordar de forma critica o modo como o jornalismo textual e aquele representado por imagens, como é o caso das charges, age perante influencias externas e como ele se modificou ao longo do tempo. Essa mudança fez-se necessária na busca para adequar-se a diversos fatores sociais, econômicos e políticos. Essa mudança continua e  se dá de forma constante no que diz respeito aos signos e interpretações, pois estes estão diretamente ligados a vida social, costumes e valores que determinam o caráter social e ideológico de quem é afetado por este jornalismo.

A palavra como instrumento de revolução, convencimento e construção social é vista como mecanismo ideológico quando inserida no meio jornalístico. O discurso ideológico que um jornal ou autor quer passar ao leitor, vai atingi-lo de diferentes formas, porque seu significado se dá no interior das relações sociais e não de maneira objetiva e única. A palavra é algo sem moldes pré estabelecidos, se adapta  de maneira abstrata nos mais diversos contextos de formas diferente e o  poder que pode vir a ter depende  exclusivamente  da significância que ela ganha em seu processo comunicacional dentro de um determinado meio social.

A citação de George Orwell — “Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Tudo o resto é publicidade” — expressa bem aquilo que o jornalismo faz ou deveria fazer pois enquanto principal veiculo democrático, deve representar fielmente a realidade dos fatos transformando-os em notícia, porém como já foi citado inclusive em sala de aula pelo professor Luiz Fernando, não há verdades absoluta em qualquer narrativa, pois a mesma ganhará angulações distintas a depender de quem faça a narrativa.

O jornal ou o jornalista está constantemente falando sobre aquilo que o aflige, o constrange, o indigna, podendo ou não servir como manipulador da realidade, quando na verdade deveria fazer parte de um sistema democrático, livre de poderes políticos, econômicos e sociais. O jornalismo então tem o poder de criar uma democracia, ao mesmo tempo que a mantém de forma controlada, fazendo com que os leitores tenham a ideia de que aquele veículo representa a mais pura essência de servir como meio para a transmissão  de uma informação crua, ou seja, uma representação total da realidade, quando na verdade a partir do momento que ela é construída, sua estrutura  textual e sua imagem  estão certamente norteados pela idelogia  que percorrem as redações em que foram produzidas. Anulando assim quaisquer discurso sobre a neutralidade jornalística.

Assim como o jornalismo textual o discurso visual presente nessa esfera deve  funcionar como uma forma de expressão por meio da qual é possível produzir sentido sobre determinados fatos. A construção da charge é muitas vezes baseada na remissão a outros textos, verbais ou não. O que a torna singular é a maneira com que ela pode lidar com os fatos já ocorridos, trazendo-os  ou não para a atualidade, exercitando o senso critico de quem a vê.

A charge serve para despertar a inquietação e conscientização de um determinado grupo social de forma irônica, direta, provocando o humor que muitas vezes assume uma face sarcástica, mas não se limita a isso, ela tem a capacidade de transpor sua ideologia ao leitor tanto quanto textos jornalísticos, através da fixação da mensagem com imagens. Ela hoje ocupa o posto de principal manifesto desse discurso visual  empregado não só em jornais e revistas, sua presença está se popularizando até em jornais televisivos.E assim como as manifestações textuais e discursivas, ela também deve  exercer de forma pura a liberdade de expressão. Ela pode e deve manter-se como uma ferramenta de contestação social, politica e econômica.

RENATA BELLO

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Comentários sobre os textos “Charge: uma prática discursiva e ideológica”. e “A charge como manifestação ideológica”

Abaixo destaco e exponho alguns pensamentos críticos sobre os conceitos e ideias apresentados por  Rozinaldo Antonio Miani em seu estudo intitulado de “Charge: uma prática discursiva e ideológica” e o texto “A charge como manifestação ideológica” de Olga Moreira de Souza.

Sendo muitas vezes confundidas com a caricatura, as charges surgiram para criticar o que incomodava a população ou seu criador, sem perder seu senso de humor, muitas vezes ironizando a nossa própria situação.

Se enquanto a caricatura serve para ressaltar de forma exagerada características físicas de determinadas pessoas a charge crítica, indigna-se e demonstra insatisfação em diversas esferas sociais. Ela mostra os fatos  sempre dentro de um contexto, seja ele econômico, politico, cultural. Se não houver este angulo definido ela não terá efeito, perdendo seu poder de comunicação.

O caráter social da charge deve-se principalmente ao fato de que ela é vista como um signo, por abranger  grande fatia da população. A charge chega sem ruido ao leitor, isto é, sem que haja interferência e alteração no significado que o autor quer passar, somente se o leitor e o criador estarem cientes dos acontecidos ao qual a charge se refere.

É claro a faceta ideológica que a charge assume hoje em revistas e jornais. Utilizando comumente a intertextualidade para expressar sua mensagem, ela conta acontecimentos marcantes de uma época e através da visão de quem a cria, sendo então consideradas documentos da história.

Não existe charge sem conteúdo ideológico, toda expressão é a expressão de um ponto de vista e o estudo de um fato ou época se dará ainda mais completo se considerarmos o que os chargistas dizem a respeito, pois o que ele expõe diz muito sobre nós mesmos e sobre o mundo em que vivemos.

RENATA BELLO.